22 de outubro de 2017

Sete Palmos!


Numa madrugada quente de Outono, acordei meio ensonado e assustado com o que vivo e com o futuro, mas decidi de uma vez por todas enterrar o passado recente.

Entre avanços e recuos de outrem em sonhos por sonhar e mal refeitos, assustadores de sim e nãos e da constante incerteza, da frieza das palavras e das lágrimas que mais parecem de crocodilo (cobra venenosa), estou decidido colocar ponto final em todo esse passado recente, enterrar significa colocar sete palmos de terra por cima do problema, assim não volta mais à superfície.


Entretanto enterrar  não quer dizer que esqueça por completo, sepultar é sinónimo de aprender a conviver com as lembranças, aceitar os desafios, desafiar os sortilégios, e apesar de tudo seguir em frente como que hoje fosse o ultimo dia dos primeiros dias...


Vou continuar a ler e reler, ver e rever o que não quereria, mas nada mais que importante é que está decidido esquecer, e assim ficar com menos um problema, problema esse que é um desencanto sonhado.

Velando o problema solucionado, e como qualquer enterro vemos o defunto, por mais que não o queiramos, iremos se cruzar talvez um dia, mas seja onde for passarás a ser um problema solucionado.

No dia em que enterrei o problema, surgiu  um silêncio pacifico em todo o meu redor!

by mghorta

15 de outubro de 2017

Sonhar!

Sempre disse por directas e indirectas quem Sou,
hoje revejo-me na pele de um Guerreiro,
nesta Vida que eu sei quem posso ser,
onde os limites de sonhar não param,
Sonhar é somente para nós mortais.

by mghorta 


7 de outubro de 2017

No cume do nosso monte.




Noctívagos!

Quis percorrer caminho de antes, saí pela noite e sem moderação porque meu coração falou alto, não tinha vento nem chuva, fazia um luar de amores, apenas o silêncio por companhia, até que dou de caras com uma vitrina, era um bar que me era familiar, espreitei e nada vi de interesse, voltei costas e pensei que não era lugar para mim hoje.

Quando caminho dou face a face com uma silhueta que me era familiar:
- Olá tu por aqui... (eu)

- Sim, e tu também! (ela)

- Saí só para saber como estavam as noites de Leiria! (eu)
- Piada, também aproveitei a noite para tentar recompor ideias, as nuvens estão longe, o calor me deixa extasiada, e queria aproveitar com alguém este momento... (ela)
- Perdoa-me amiga, não sei se serei o elo que precisas, mas aproveitamos o momento para saber mais de ontem que o presente já sabemos... (eu)


Confesso, não sei que me passou pelo cérebro estar a fazer uma proposta a alguém que me era tão familiar, ao mesmo tempo desconhecida.
Damos connosco a caminhar sem destino por uma calçada que em tempos pisei, o cheiro das laranjeiras secas de sede, caminhámos e fomos bater de novo na vitrina embaciada de fumos, fumos de um ambiente nocturno que tanta vez foi meu habitat e que com o tempo nada mudou, as pessoas nos olhavam como interrogando:
- Olha, ele regressou mas quem é a moça?
Sentámos num canto acolhedor como que o lugar fosse sempre nosso, pedimos algo para beber e trocamos uns mimos, mimos de compromisso que como estivéssemos ali à muito sentados, como que fossemos dois amantes.

- Casualidade a nossa, nunca supus te encontrar por aqui amiga? (eu)
- Pois não, até porque nem sabia que frequentasses as noites de Leiria... (ela)

Assim continuamos conversando, mais uma bebida e outra, sussurrámos e rimos de coisas banais, parecíamos dois colegiais que se tinham encontrado a primeira vez, mas o ambiente propiciava atrevimentos, atrevimentos que com a bebida exalava os nossos olhares como que se estivéssemos quase nos braços um do outro.
As mãos, essas tocavam nos corpos baixo da mesa já cansada de ouvir nossas conversas de gozo, gozo esse que só não trepava para outro patamar porque o lugar e os olhares nos fulminavam como que fossemos estranhos, sim estranhos num ambiente tão quente em que até os nossos corpos exalavam suor de tesão.
As horas passaram, com elas toques, beijos leves, beliscos e risos comprometedores e atrevidos, porque também o quisemos assim para mostrar que o bar nos era tanto nosso como deles.

- Ficamos por aqui? (eu)
- Não sei, e tu que me dizes? (ela)

Nossas peles suavam, as roupas transpiravam suores e odor a coco, somente o espaço e o lugar não nos deixavam acabar nossos instintos de desejo.
Já pela madrugada dentro, os vidros embaciados da vitrina que meus dedos limparam para escrutinar a noite lá fora:
- Vamos, não percamos mais tempo...

Dou por mim na rua, sentado num banco de jardim e ela por cima em meu colo, os arbustos e as estrelas eram testemunhas de uma entrega total, parecia que o tempo e o mundo parou nos momentos seguintes, tudo tão perfeito e tão promissor como o luar, não sei até quanto durou a entrega dos nossos corpos e de quem nos viu ou desviou o curso de seu trajecto pelo jardim porque o espaço era só nosso e os gemidos de prazer eram tão notórios que, a satisfação foi tal ao ponto de nossos lábios molhados teimavam não separar, os olhares vidrados e nossas roupas desajeitadas que até nos davam aspecto de simples e comuns amantes noctívagos.

- Não, não vais... (disse ela)
.
.
.

Acordo, simplesmente acordo com a intenção de que o sonho fora tão real como os seus intervenientes.

by mghorta


1 de outubro de 2017

Tantas Coisas!


Já fiz tantas coisas,
umas para ser feliz,
outras fazer alguém feliz,
arrependo-me das que não fiz.
Vou indo a caminhar,
nesta caminhada sofrida,
até onde não o sei,
aonde esta estrada me levar.
Por vezes sozinho,
nem sempre carente,
basta-me só tocar
a minha Vida Para a Frente.

by mghorta 



18 de setembro de 2017

Regresso ao Passado.

Dou por mim num pátio vazio e abandonado, vejo alguém sair de uma casa abandonada  caminhando em minha direcção como que eu ali não estivesse.

Passou ao lado como que eu fosse sombra, sentou-se num muro ali perto me olhando de soslaio como eu fosse fantasma, mas repentinamente rema num barco pelo pátio como que estivesse nas nuvens, olhei para o fundo do pátio e vejo a barraca de madeira que foi palco de minhas brincadeiras, jogar à escondidas e às escolinhas, saltar às fogueiras, coisas de menino. 

Repentinamente caminhava uma silhueta feminina por trás da barraca, as feições eram-me familiares mas não me recordava quem, trazia segurando uma bola nas mãos e jogou-a em minha direcção, defendi e devolvi com carinho de novo para suas mãos, interagiu de novo e trocámos a bola de novo, uma vez mais e outras mais estávamos jogando como que fossemos íntimos. 

O outro alguém apareceu de novo, olhava para nós como que querendo entrar no jogo de bola, passei a bola para ele e passou-a para mim, de mãos em mãos a bola girava como que fosse o nosso mundo no momento.

Mais um passe curto e a bola caiu pelo chão, passeia com o pé na direcção da silhueta feminina que me devolve com um forte pontapé e indefensável, não me joguei ao chão para defender e disse:

__ Em outros tempos tinha-me jogado ao chão e defenderia esta bola, nunca seria golo menina...

__ Mas quem é o senhor?

__ Em muitos anos atrás eu morei aqui, brinquei com alguém com suas parecenças que morava na última casa... 

__ Sim, era minha avó!

__ Uma grande senhora, meu primeiro amor de menino...
.
.
.



Repente acordo, tinha regressado ao passado como que o sonho fosse tão real quanto eu.

by mghorta




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