9 de março de 2017

Primavera.

Teus olhos verdes lembram-me
cores paradisíacas de Primavera,
os frutos frescos da estação,
neles colhendo morangos e maçãs.

Na boca bebo o suco das laranjas
e das amoras em longos beijos,
as mãos percorrendo no teu peito
com framboesas cristalinas,
acariciando teus seios cuidadosamente
para não macular e que sejam firmes
sedosos e brilhantes. ..

Colhida a fruta fresca,
que me serves a bom tempo
na selva temporal dos actos
no teu cálice sagrado umbilical,
por fim adormecemos exaustos,
saciados e abraçados. ..

by mghorta  (citando mamas à solta)

Não Profetizei!

Nasci do nada,
nada serei sem Amor,
pedi para ser amado e fui desnaturado,
subnutrido e mal ouvido,
não profetizei se seria bom ou mau,
apenas quis ser o que tu desejarias 
que eu fosse e tu o que quero,
simplesmente amamos!
Minha cama é nossa.
pedes eu divido nela amor que cultivamos,
não restritos a detalhes,
não limitamos o sexo.
apenas surge no momento escolhido e oportuno,
assim nasce o que podemos dizer nova vida novo 
ser como prenhe de nove meses.
Não se dá certezas,
juntos podemos amamentar
esse ser amado como crianças,
alimentando-o até ao fim,
mesmo que ele se adivinhe ao virar
da página de uma nova vida,
novo destino ou rumo das marés que a vida nos dá,
umas vezes em altas e outras em baixa.
Hoje poderás gemer de dor,
mas já gememos o mesmo Amor para que ele. ..
... o Amor fosse vivo,
alegre e querido como lambendo o mesmo esperma
que deu a vida a tão lindo Amor.
Tu és pelo nosso Amor e não pelo esperma,
nasceste da espontaneidade e não por obrigação,
nossa relação é parte integrante da nossa condição,
amantes secretos e não sofredores momentosos.
Entrei em ti e entraste em mim
num vai e vem gozado,
num escorrega e húmido prazer,
risos e gemidos,
soluçar e roçar
foram estes movimentos que deu nova Vida,
novo ser a nove meses como que um novo começo.
Nesse espaço vazio deixei de escrever,
somente podia resumir os sentimentos
prazenteiros e gostosos de momentos
húmidos e languidez da nossa tesão
como que um ser se tratasse.
Como não profetizei,
foi assim que o esperma deu motivo a nova vida,
nova vida novo Amor.

by mghorta  (citando mamas à solta)





Sombras!!!


7 de março de 2017

Lembranças!

''LEMBRAR É FÁCIL PARA 
QUEM TEM MEMÓRIA,
ESQUECER É DIFÍCIL PARA 
QUEM TEM CORAÇÃO.''

Shakespeare


6 de março de 2017

Inferno!

Por muito que queiramos dizer não, ele existe aqui ao nosso lado, a tristeza e a solidão de mãos dadas, por isso acordo com a sensação de um vazio tormentoso, não encontro forma de explicar isso, mas fica pairando no nada toda essa certeza.
Sim é capaz disso mesmo, faltar algo no ar!
Mas como poderei chegar a esta conclusão?
Será que em todos estes anos me está faltando algo?

Simplesmente não tenho formula de explicar a razão disso, assim apenas me resta aguentar o vazio desta minha solidão. Da mesmo forma que concluiu que me falta algo, seja ar ou vivência, fico atroz-mente com falta de ar.

A correria que levei em todos estes anos, fico com a conclusão que tudo foi vão, até os sorrisos que posso esboçar tem a tonalidade amarela, perdeu o colorido da vida. Complexidade do esquecer não é assim tão simples, mesmo que eu diga que tudo está bem, tudo é nulo e complexo.

Porque o coração não dói, não posso dizer com a plena certeza que estarei doente, tudo é complicado em demasia para explicar.  Mera ilusão dizer que nada me falta, nada não é nada e a falta fala, tem uma linguagem universal, porque todos sentimos falta de algo e não poderemos excluir isso de nossas vidas, por isso teimo em dizer que me Falta Algo.

Acho que encontrei a razão destas linhas que teimosamente tento escrever de tempos a tempos, acho que sim, acho que é a tristeza que me invadiu por completo meu interior, meu ser está só e minha alma invadida por uma solidão enorme que me consome como braseiro quente ao género de Inferno.

Sinto-me ardendo, minhas entranhas com marcas e cicatrizes que nunca mais sumirão de mim, a dor e marcas ficarão para sempre eternizadas com minha solidão infernal. Minha carne fraca não sabe mais a leveza da alegria, mesmo que ela me bata à porta, não sei se serei capaz ou terei a sensibilidade de a recolher, é esta a dor que mais me atormenta e nem sequer tem explicação para tal decisão, ela vem como Tempestade arrebatadora que a minha condição humana se sente incapaz de a receber porque a solidão é de anormalidade tamanha.

Depois da tempestade vem a bonança, mas teimo em escrever no mais recôndito interior da minha alma, pensamentos, verdades, mentiras, histórias e sonhos. Uma forma que me escraviza neste inferno de solidão, criando momentos de reflexão e introspecção prevendo situações e coisas que nunca mais terão acontecimento.

Finalizando, o mundo gira lá fora, tem a sua mutação própria, palavras e actos ficam, ficaram e ficarão, de certa forma mostrando a imparcialidade das coisas ímpares que em breve serão coisas do passado, não por mim, não pelas teclas que teimo teclar, não pelo meu Dom solto, mas pelo Dom que todos temos e teimosamente queremos continuar, só que a solidão nos arrebata de certa forma que somos humanos fragilizados esquecidos num canto infernal.

by mghorta 


Identidade!

Este desespero que respiro
tem identidade,
a intranquilidade que me abraça 
tem identidade,
esta tempestade que me beija
tem identidade,
este desassossego que me fala
tem identidade,
esta crueldade que me silencia
tem identidade,
estes tumultos que me apavoram
tem identidade,
todos os sonhos sonhados
e os que ficaram por sonhar
tem identidade,
poderia desbravar teu coração
com todo o tempo que a alma
me concedeu debaixo dos
momentos compartilhados,
mas nossas identidades
por muitos tumultos vividos
jamais poderão ficar juntos.

by mghorta

Despedida.

Nunca sei encontrar as palavras certas para me despedir de ti, fico sempre com um vazio frio dentro de mim com medo de uma palavra que terei dito ou não dito, fico com a impressão de um mal-entendido solto que faça tremer tudo que se passou por nós num vazio inexistente, como gota de água solta em telhado desesperado.

Não sei me despedir de ti nos poucos momentos juntos, sou como palmilhante atravessando as multidões sofridas num mundo caótico sem amor.

Como um cego tacteando pelos paralelos da vida, não sei me despedir de ti, faltam as palavras para dizer mais algo que o simples toque de mãos e lábios ávidos de um beijo prolongado.

Soterrado de pensamentos da nossa história, não consigo afastar-me de tudo o que és.

Num vazio inexistente, despedir-me de ti é como algo que parte de mim para uma caminhada no nada.

by mghorta 

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