e perguntei ao tempo a razão de ter apagado tão sublimes palavrões de menino. Ele me respondeu discordando, que foi o vento o culpado, porque nele estavam escritos as minhas aventuras de menino, atrocidades amargas da minha puberdade e as loucuras da minha vida de adulto. Fecho os olhos e revejo tudo, abrindo de novo sem pestanejar, procuro de novo as letras de outrora, como que procurando saber a razão de todo o meu sofrimento. Mas ao ver e reler de novo, vi que ainda lá estavam os arranhados escritos, somente a minha leitura de hoje, razão do vento tem outros sentimentos. Fecho de novo os olhos, avivo os meus pensamentos e vejo, pecados de memória sã, outros de pecados atrozes, pela sala voam fantasmas recentes, anestesiados desejos cálidos, mossas no meu corpo deitado,
com pensamentos de Amor. Sinto na pele a macieza de tuas mãos, renego os impulsos satânicos de prazer, porque leio na sebenta meus instintos loucos, de gritar alto a qualquer momento, para te dizer que te Amo. Não foi o tempo de sopro triste, não foi as palavras mal escritas em adolescência, mas foi o vento que levou as palavras até ti, para que nelas sintas o carinho que te dedico Amor.