16 de junho de 2015

Desnorte.


Já não sei mais o que escrever, poderia escrever sobre meus dias, minhas noites, das tardes ou até mesmo dos cenários sonhados, dos lanches, dos negócios ou até de algo que eu mais gosto, mas nada mais posso escrever senão as aparências, ficaram por mentiras soltas, vivo piscando o olho no passado, tentando reavivar o sentimento que ficou por algum lado escondido, sentir o amor perdido.

Poderia até tentar escrever de novo, mas que adianta escrever um longo texto redireccionado a alguém que deixou de estar na minha mente, isso não iria mais aumentar a saudade da saudade que existe em mim?

Por mais palavras que escreva, essas não me irão salvar do buraco negro no qual me encontro, sepulcro criado por alguém que me deixou quando mais precisava desse alguém, as confusões que me dominam, me levam a escolher temas de outrora, ouvindo melodias para que possa de novo acordar, talvez nelas encontre detalhes das memórias vividas, talvez com isso eu possa sair do abstracto que vive em mim, insonso e sem tempero para prosseguir no trajecto desenhado a preto e branco, sim a preto e branco porque me tiraste o colorido da vida.

Embora tenha vontade de sair do obscuro que a todo o tempo tento esquecer, também esquecer esse alguém, mas dentro do meu orgulho não tem espaço para que permita retroceder, e ambos sabemos disso, nada mudou, apenas mudei para estado sem rumo, e rumos bem como decisões tomadas são as preocupações que passam dentro de mim, e sabendo que posso viver sem esse alguém, como também esse alguém pode viver sem mim, mas nada poderei querer do que senão escrever mutações de mim, devaneios, palavras soltas e talvez umas baboseiras, assim talvez eu acorde para um estado superior onde nele eu possa prosseguir de novo no enlameado da vida.

A vida tomou um rumo sem a presença desse alguém, eu até ando, eu tento, às vezes, mas fica difícil enxergar um lugar para atingir, porque os caminhos levam a uma estrada que sem termino é a minha companhia.
Até tento negar, tento sorrir, tento dizer que tudo está bem, tento de tudo, consigo mentir para muitos, mas se olhassem bem nos meus olhos a mascara cairia logo pelo chão chorando, sim chorando porque o homem chora de saudades das saudades.

A dor, a tristeza, o rancor e o amor que parasita o meu estado de estar, é mostra de aquilo que já não sei dizer em palavras e muito menos escrever. ..
Mas infelizmente e com muita ingenuidade, eu acreditei nas promessas de um amor solto, infelizmente esse amor fez moça, assim fico sem saber se esse alguém foi merecedor do meu tempo, do meu espaço, dos meus momentos: tem sempre uma parte de nós que é mentira, que é segredo, e assim ficamos mentindo um para o outro, é por isso que não sei mais escrever neste desnorte vivo.

by mghorta





Sem comentários:

Enviar um comentário